sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ato em defesa dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul - Dia 13 de agosto, Campo Grande, MS.

12/08/2011 - 18h23



Amanhã, dia 13 de agosto, à partir das 9h, o Ato Público em Defesa dos Povos Indígenas de MS, reunirá pessoas, movimentos e entidades na rua Barão do Rio Branco, esquina com a rua 14 de Julho. 


A manifestação é realizada por não indígenas e contará com a presença de acadêmicos índios e não índios dos cursos de História e Direito da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que convidam os demais estudantes a participar, tendo em vista um ato de solidariedade para com as populações indígenas.

A idéia do ato não é só reagir contra a violência praticada sistematicamente contra os índios. É para chamar a atenção da sociedade sul-mato-grossense que a violência já não pode ser aceita e que há setores não indígenas que se sentem atingidos igualmente em sua dignidade de pessoas de bem que não aceitam nem vão se acostumar a testemunhar passivamente os ataques sistemáticos praticados contra os índios.

A motivação dos organizadores assinala também que “tal realidade atinge nossa dignidade de pessoas de bem que não se acostumam em ver nossos iguais; povos nativos deste estado, em serem atacados nos seus direitos fundamentais”.

É preciso que nossa declaração de paz para com os povos indígenas de MS seja um grito tão forte que construa uma nova realidade baseada na solidariedade e no respeito às diferencias. Uma realidade de garantia de direitos, de reconhecimento dos sentimentos que nos tornam iguais; felicidade como direito de todos e todas e terra e riqueza socialmente distribuídas”, expressam igualmente na declaração de convocatória ao ato.


Apóiam a atividade as seguintes entidades e organizações: Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Comissão Pastoral da Terra (CPT-MS); Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST); CDDH Marçal de Souza; Cedampo; Ong Azul; Rede de Educação Cidadã; CUT; Sindijus; PT, Mandatos do PT; CRJP; Tribunal Popular da Terra; UNMP; Marcha Mundial de Mulheres; Conlutas; PSTU; Central de Movimentos Populares.


As entidades e movimentos sociais que organizam o ato de solidariedade em favor dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul são incisivos ao afirmar que a “violência verbal do próprio governador do estado, André Puccinelli (PMDB), tem contribuído para o aumento de preconceitos e outros tipos de violência contra os povos indígenas no estado”.


Por diversas vezes, Puccinelli discriminou e ofendeu publicamente os indígenas do MS, atingindo a dignidade destes, direta ou indiretamente. Frases como: "Aqui não existe terra grilada” e “Tudo o que os índios têm de benefícios no Estado foi o André Puccinelli quem fez pra eles” demonstram claramente o tratamento dispensado pelo governo estadual aos indígenas.


A falta de respeito na “língua solta” do governador André Puccinelli fez com que os preconceitos aflorassem, as violências aumentassem e as violações de direitos se repetissem à exaustão, segundo os próprios indígenas. Toda a mídia local repercute incansavelmente as falas do governador. Em muitos jornais, vê-se: “Esses índios são todos preguiçosos”; “esses índios não produzem nada mesmo” ou ainda que “têm que pagar impostos como nós” .


Puccinelli não ofende somente os indígenas do estado que governa, mas os indígenas de forma geral. É preconceituoso, e dispara preconceitos contra esses povos sempre que pode. Certa vez disse: “Dá papinha pro índio, dá comida pro índio, dá camisinha [sic], camiseta pro índio, dá kit escolar pro índio, dá escola, dá casa pro índio, agora vai ter que tocar pro índio também?”. Ao que ainda completou: “A Funai não serve para p**** nenhuma”.

Violência constante


Um dos mais recentes atos de violência que teve muita repercussão nacional e internacional foi o ataque que sofreu um ônibus escolar lotado de estudantes indígenas na região de Miranda, a 203 quilômetros de Campo Grande, em 3 de junho deste ano. O ataque que aconteceu com o uso de uma bomba caseira feriu gravemente cinco estudantes indígenas e o condutor do veículo. Antes do ataque perpetrado contra os escolares muitas lideranças indígenas já vinham denunciando diferentes tipos de ameaças, inclusive as encaminhando ao Ministério Público Federal.

Fonte: CPT/MS.

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