10/04/2012
A ABA vem manifestar a sua indignação com as ameaças de morte e intimidação armada realizada em 06-04-2012 contra o antropólogo Tonico Benites, descritas por ele em relato dramático e desesperado, extensamente divulgado através das redes sociais. Mestre em Antropologia Social e doutorando do PPGAS-Museu Nacional-UFRJ, ele tem participado dos contatos mantidos pela ABA com as autoridades e está indicado para representar a entidade no Ciclo de Debates: A criança indígena e os seus direitos fundamentais, que se realizará nos dias 19 e 20 de abril de 2012, em Campo Grande/MS.
Causa consternação e infringe os dispositivos da Constituição o quadro de violência contra os indígenas instalado em MS, que leva ao desrespeito cotidiano de seus mais elementares direitos. Isto vem atingindo também ao próprio exercício da pesquisa científica, com constantes limitações ao trabalho dos antropólogos, seja na execução de trabalhos com finalidades acadêmicas seja na realização de periciais. As pressões e perigos são ainda exponencialmente agravados quando o antropólogo é um indígena Guarani-kaiowá, como é o caso de Tonico Benites. Nem o fato de estar inserido em uma programa de proteção aos defensores dos direitos humanos do SEDH foi capaz de deter a ação de seus agressores.
Reconhecendo o importante trabalho desenvolvido pelo Ministério Público, a SEDH, a Secretaria Geral da Presidência da República e a própria FUNAI no sentido de superar tal estado de coisas, a ABA vem a expressar sua extrema preocupação com o fato , solicitando às autoridades que reforcem o aparato da polícia Federal e da Força Nacional na região, de maneira a controlar a violência contra os indígenas, bem como que aceleram as ações administrativas que visam o reconhecimento das terras indígenas naquele estado.
A ABA neste contexto vê com satisfação e esperança a reunião dos coordenadores de Grupos de Trabalho das terras Guarani-Kaiowá – medida sugerida pela entidade a FUNAI em início de dezembro – e agora viabilizada pela FUNA, a ocorrer na próxima semana.
Fonte: Associação Brasileira de Antropologia - ABA.
Disponível em: http://www.abant.org.br/news/show/id/236

Nenhum comentário:
Postar um comentário