sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Governo federal visita famílias e mais uma vez promete terras.

Nacional

Kaiowás lembraram que a demarcação de terras indígenas não é um pedido, mas um direito, que está na constituição

27/10/2011

Por Caroline Maldonado,

Campo Grande (MS)

Em visita, no dia 20 de outubro, ao acampamento indígena Y Po’i, em Paranhos, no Mato Grosso do Sul, o secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, escutou os relatos da comunidade e se comprometeu a fazer esforços para que os assassinatos, ocorridos ali, não fiquem impunes e sejam asseguradas a terra, produção, estradas, saúde e educação aos índios Guarani e Kaiowá do estado. “Estamos aqui para dar um basta nessa situação, dar um sinal para a sociedade, para o governo de Mato Grosso do Sul, para todas as instituições de que o governo federal está junto com os que mais precisam, que não aceita mais assassinato, perseguição, violência e aqui vai ser um marco para mudar essa situação”, disse Maldos.

Nos dias 28 e 29 de novembro, o secretario volta ao estado para instalação do Comitê Gestor de Políticas Indigenistas Integradas, em Dourados. O Comitê, já formado, reúne 13 ministérios que vão implementar políticas públicas para a população indígena. “Eu estou aqui em nome da presidenta da república do Brasil para mostrar que a presidência da república está junto com o povo Guarani para construir uma outra história daqui para frente, sem morte, sem violência, terra garantida, saúde, educação e aprender muito com vocês como fazer tudo isso respeitando um ao outro, povo respeitando povo, comunidade respeitando comunidade, construindo uma outra história daqui para frente”, declarou Maldos. Segundo o secretario, o Comitê Gestor se reunirá com o Comitê Regional da Funai, mas a principal parceira será a Aty Guasu, a assembléia dos Guarani, para que o governo alcance os objetivos com as políticas e fortaleça a Rede de Proteção, que está sendo articulada pelos índios.

Além de lembrar os assassinatos, ainda impunes, de três membros da comunidade, os indígenas de Y Po’i contaram a situação em que vivem, piorada após uma decisão judicial, de dezembro de 2010, na qual a Fazenda São Luís, em litígio no processo de regularização fundiária da terra indígena, tem sua porteira fechada para a entrada ou saída de indígenas. Ficou autorizada a entrada apenas de órgãos do governo, duas vezes por mês, para a entrega de cestas básicas e remédios aos indígenas. A estrada que dá acesso ao acampamento indígena passa pelas porteiras da fazenda e o proprietário deve ser previamente comunicado quando houver visitação.

Esta decisão agravou a situação, deixando as crianças sem a possibilidade de continuar os estudos, impossibilitando o atendimento adequado e completo por parte da Fundação Nacional de Saúde (Funai) aos doentes e as gestantes e, ainda, aumentou o clima de tensão e descaso com mais de 140 índios ali acampados, desde agosto de 2010, como contou o guarani Maximo Velasque. “Nós somos humanos e também sentimos na pele, como qualquer ser humano e a gente também sente dor como qualquer um. Então eu queria que todo mundo pensasse ‘vamos unir forças para fazer essa demarcação urgente aqui’. E não é só aqui, tem mais terras aqui perto do município. Aqui em Paranhos a gente é tratado como se fosse um bicho. Até dentro do hospital a gente é tratado diferente de qualquer outro cidadão e nós somos cidadãos. Votamos como qualquer um branco e só na época de política somos enxergados”, desabafou.

Os índios sofrem ameaça constante e são obrigados a usar caminhos, que não seja a estrada para ir e vir, segundo Bernardo Vera, pai do professor assassinado Genivaldo Vera. “Dois anos após ser encontrado o corpo do Genivaldo, o pai quer fazer um rital aqui e trazer os rezadores de outras comunidades e ele pergunta como que vai fazer se não pode entrar aqui”, disse o Kaiowá, Tonico Benites, ao interpretar a fala de Bernardo.

O Kaiowá, Anastácio Peralta, lembrou que a demarcação não é um pedido, mas um direito, que está na constituição. “As pessoas são contra índio porque não conhecem o índio. Tem que mudar isso. Se for contar por morte, já morreram três aqui. É um país muito desumano. O boi está bonito e gordo ali e a gente continua morrendo”, disse Anastácio.

Fonte: Brasil de Fato.

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